Não sou um lugar
- tâmia

- 5 de set. de 2025
- 1 min de leitura
Confinado, sem saída
Descuidado e sempre em negação.
Ultraje! Considero o último desafio
Definhando em minhas mãos.
Termina a caminhada que outrora foi tomada
Pela crença de um futuro brilhante.
Um obscuro pensamento me foi soprado
Um pouco posse, um pouco perdição:
Sendo livre, que mal faria tropeçar?
E pela estrada...
Sabendo de meu destino, ainda assim
Havia alimentado minha inocência.
Batidas na minha porta.
Trajes acabados de um capataz:
- "Não tenho um tostão!" - Veio para me dizer que de material não lhe servia. Era sobre a chama,
O interior em ebulição.
Vagava em ardor, era verdade,
Muitos me diziam que essa era a face
Da única paz que pessoas como eu mereciam.
Eu? Não tenho a que me apoiar,
Não sou um lugar.
Não possuo certezas visíveis
No rosto, à mesa ou no chão.
Desperto de uma longa jornada,
Libertando-me das ilusões,
Mergulhando em meus receios,
Subvertendo crenças
E afastando-me de minha essência,
Em busca de uma contingência
Na qual firmar.
Destruidor, em meio à sua destruição.
Não sou um mísero lugar.
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